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Indústria é destaque na geração de empregos em janeiro

Setor surpreendeu com abertura de mais de 17 mil postos, ante saldo negativo no mesmo período de 2016

Indústria é destaque na geração de empregos em janeiro

As contratações na indústria de transformação foram destaque no resultado do emprego formal no início deste ano. Desde de março de 2015, o setor vinha fechando postos por sucessivos meses até que em agosto e setembro do ano passado registrou leve recuperação (saldos positivos de 6,3 mil e 9,3 mil respectivamente), voltando a demitir novamente. Em janeiro, surpreendeu com a geração de 17.501 empregos contra um saldo negativo de 16.553 no mesmo período do ano passado.

De acordo com o Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, 10 dos 12 subsetores industriais apresentaram resultados positivos no período. Os ramos que mais empregaram foram de calçados, com 8.075; têxtil e vestuário, que respondeu por 6.503 novas vagas; mecânica (4.164); borracha, fumo e couros (2.960) e metalurgia (2.650).

Já nos ramos de produção de alimentos e bebidas, as demissões superaram as admissões em 12.696. Já no segmento de papel e papelão, foram fechadas 292 vagas. No primeiro caso, o resultado já era esperado e se deve ao desligamento de empregados contratados para as encomendas das festas de fim de ano.

Na visão do governo e de especialistas, o desempenho da indústria está ligado aos sinais de recuperação da economia. Janeiro não costuma ser um mês tradicionalmente forte em contratações, disse o especialista Rodolfo Torelly.

— Apesar da longa série negativa de perdas de postos de trabalho, o mês janeiro apresentou um resultado dentro das expectativas do mercado, com redução das perdas e alguns sinais pontuais positivos, como o crescimento do emprego na indústria e a calmaria na construção civil, que teve saldo negativo de apenas 775 — disse Torelly.

Na comparação entre as regiões, Sul e Centro-Oeste geraram empregos, as as demais perderam, sendo o Nordeste a região que mais demitiu, com saldo negativo de 40,8 mil postos. Entre os estados, Santa Catarina foi o campeão de contratações com resultado positivo de 11,2 mil postos. O pior foi o Rio, com 26,4 mil demissões.

Em janeiro, o comércio ficou com saldo negativo de 60.075 empregos, acompanhado pelo setor de serviços, que fechou 9.525 postos.

MERCADO FORMAL PERDE MAIS DE 40 MIL EMPREGOS

O mercado formal de trabalho iniciou 2017 com saldo líquido negativo (admissões menos demissões) de 40.864 empregos. Foi o 22º mês consecutivo de fechamento de postos com carteira assinada. Apesar disso, o resultado ficou abaixo do registrado em janeiro de 2016, quando foram fechadas 99.694 vagas — segundo dados do Caged.

Em janeiro, o saldo positivo da indústria de transformação surpreendeu com 17,5 mil postos, seguido pelo setor da agropecuária, com mais 10,6 mil empregos. Já construção civil, comércio e serviços continuaram demitindo.

Para o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o desempenho da indústria em janeiro mostra sinais de recuperação da economia. Segundo ele, o país deve voltar a gerar empregos a partir de abril.

— A indústria veio com saldo positivo em janeiro, o que sinaliza uma recuperação da economia. Acredito que a partir de abril nos devemos obter saldos positivos no Caged — disse o ministro ao GLOBO.

Ele observou que o Caged tem mostrado uma desaceleração das demissões nos últimos meses. Embora negativo, destacou, o resultado de janeiro deste ano foi menor do que os registrados nos mesmos períodos de 2015 e 2016, que foram de 81,7 mil e 99,6 mil, respectivamente.

Para Torelly, os dados de janeiro vieram dentro do esperado e mostram que a recuperação do emprego com carteira assinada será lenta. Torelly mencionou que o mercado de trabalho reage de forma defasada em relação a outros indicadores da economia. O primeiro trimestre costuma ser mais fraco em termos de contratações, disse.

— Devemos ter dados positivos entre os meses de abril e setembro — destacou.

No ano passado, o pais perdeu 1,3 milhão de empregos com carteira assinada. Segundo Torelly, 2017 deve virar com saldo negativo também. Porém, bem inferior.