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UE exige que Brasil suspenda exportação de empresas envolvidas em fraude na Operação Carne Fraca

China e Coreia do Sul também vão barrar compras, segundo agências. Governo brasileiro e representações dos países ainda não se manifestaram.

UE exige que Brasil suspenda exportação de empresas envolvidas em fraude na Operação Carne Fraca

A Comissão Europeia disse nesta segunda-feira (20) que está monitorando as importações de carne e exigiu que o Brasil suspenda exportação de empresas envolvidas na Operação Carne Fraca temporariamente. O nome de nenhuma empresa foi citado.

"A Comissão garantirá que quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para a União Europeia", disse o porta-voz da Comissão Europeia Enrico Brivio.

Questionado sobre o tipo de carne envolvida na investigação - e que terá a compra suspensa -, o porta-voz afirmou que, de acordo com relatos iniciais, trata-se de frango, em sua maior parte.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. O setor vendeu para mais de 150 países no ano passado e agora se preocupa com os impactos negativos do esquema de venda de carne supostamente adulterada.

China, Coreia do Sul e Chile também anunciaram restrições temporárias a produtos brasileiros. O governo brasileiro e as representações locais dos países foram procurados pelo G1. O Ministério da Agricultura confirmou que as mercadorias brasileiras estão retidas em portos da China.

Seis das 21 unidades investigadas na Operação Carna Fraca exportaram nos últimos 60 dias, afirmou o presidente Michel Temer, no domingo (19), sem dizer os países para os quais se deu a exportação.

Operação Carne Fraca

Na última sexta-feira (17), uma investigação da Polícia Federal apontou um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos no país. No total, são 21 empresas investigadas, entre elas as maiores do setor, mas apenas 3 frigoríficos foram interditados.

Policiais envolvidos - 1,1 mil

Prisões preventivas – 26

Prisões temporárias -11

Total de busca contra pessoas – 111

Total de buscas contra empresas – 70

Empresas investigadas - 21

A operação envolve grandes empresas, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná.

O governo brasileiro vai acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na operação, mas o Ministério da Agricultura afirmou que 'não existe risco' sanitário pelo consumo de carne no país.